07/11/2019

Casa das Penhas Douradas


Contas feitas, não visitava a Serra da Estrela há uns 30 anos, uma eternidade. A verdade é que a ânsia de conhecer outras latitudes quase me faz esquecer as maravilhas que temos tão perto.
Andávamos com vontade de conhecer a Casa das Penhas Douradas ou a sua irmã, a Casa de São Lourenço e acabamos por reservar na primeira, que se localiza a 1500m de altitude, precisamente nas Penhas Douradas.

Este delicioso hotel de charme, hoje com 18 quartos, está implantado onde, nos anos 50, chegou a existir um hotel-sanatório para o tratamento em altitude da tuberculose - a Pensão Estrela. O projeto de arquitetura consistiu no aproveitamento da estrutura anterior, tentando coser as novas edificações na construção preexistente. Assim, a antiga Pensão Estrela continua reconhecível aos dias de hoje.


Os interiores, muito acolhedores, denotam duas grandes inspirações: o ambiente nórdico e o burel, tudo isto enquadrado numa arquitetura contemporânea. 

A inspiração nórdica está patente na escolha da madeira de bétula, usada nas paredes e tetos e no mobiliário mid-century. As relíquias vintage, skis, bastões, trenós e a lenha a arder transportam-nos para um refúgio na neve.  



Por outro lado, o burel, tecido artesanal feito de lã, tradicionalmente usado nas capas dos pastores remete-nos para a Serra da Estrela. Uma perfeita sintonia entre a monocromia das madeiras com as cores fortes do burel. 



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Este encantador hotel pertence ao grupo Burel Mountain Hotels, do qual fazem também parte a Casa de São Lourenço e a Burel Factory, em Manteigas.

Em 1947 nascia a Lanifícios Império, a fábrica de lãs mais importante da região. Em 2010 a fábrica foi descoberta pelos atuais proprietários, que depois de se terem apercebido do património e da herança que ali estava, resolveram não deixar morrer o burel e avançar com a recuperação da fábrica que se viria a tornar na Burel Factory. A visita à fábrica ficará para uma próxima ida à Serra.






O hotel dispõe ainda de piscina aquecida e um pequeno e bonito spa. As refeições, muito bem confecionadas, fizeram também as nossas delícias, apesar de rápidas, já que a capacidade de entretenimento da Clara tem limites :)



Apesar do tempo não ter estado convidativo para passeios, conseguimos uma aberta para fazer parte do trilho das faias de São Lourenço. Tão bom!



Foram apenas três dias, que passaram a voar, mas ficou a vontade de regressar em breve.
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08/09/2019

Missão cumprida


Aquele sentimento bom de missão cumprida, é o que sinto neste momento. Em meados de Outubro do ano passado, decorria a minha licença de maternidade, propus-me concretizar um desejo que tinha há muito, um curso de design de interiores. Pois bem, no final de Julho concluí este desafio, tão gratificante esta sensação!

Olhar para trás, para o ano que iniciou com o nascimento da Clara e que terminou com o seu primeiro aniversário, é simplesmente surpreendente e maravilhoso. Foi um 2 em 1 perfeito. Ver a minha bebé crescer, com todos os desafios inerentes ao primeiro ano de vida e, paralelamente, concretizar um sonho antigo. Deu luta, sem dúvida, principalmente depois da licença terminada e com isso o regresso ao trabalho. Foram muitas horas de dedicação, depois de todas as "obrigações" profissionais e familiares, mas desfrutei muito! Aprendi, pesquisei, concretizei, e concluí com uma ótima nota.

O curso está estruturado, de forma a completarem-se quatro projetos, o últimos deles o de um espaço comercial, que obedecia a determinados pressupostos:
- Localização na rua do Ouro, em Lisboa, no local onde em tempos funcionou a livraria Rodrigues;
- O espaço comercial teria de suportar uma zona de venda de material para dança, uma zona dedicada à promoção da cultura da dança e uma outra zona, para venda e consumo de refeições ligeiras;
- O cliente era Yves Saint Laurent!

Tudo isto começou por ser um grande quebra-cabeças, porque precisava de um fio condutor para todas estas condicionantes, de forma a criar algo que me fizesse sentido. Mas, por ter sentido esta dificuldade, mergulhei no assunto e aprendi muito.

A Livraria Rodrigues, fundada em 1863 e encerrada em 2017, foi a segunda livraria mais antiga de Lisboa. Mas, uma outra circunstância marca o passado deste espaço, ter sido a sede da revista Orpheu, lançada em 1915 e que assinala o início do Modernismo em Portugal.


Como cliente tinha o famoso criador de alta-costura francês, que para além da moda, era um apaixonado pelas artes em geral, como a pintura e o ballet. Ao longo da sua carreira, foi expressando admiração por diversos pintores, através de peças que os homenageiam. Este “diálogo com a pintura” iniciou-se, em 1965, com uma série de vestidos, que prestaram tributo a Piet Mondrian, pintor modernista.

Ora, neste ponto o Modernismo unia já duas peças do quebra-cabeças, o espaço e o cliente. Faltava-me perceber qual o objeto de venda, ou seja, a que tipo de dança o espaço se ia dedicar, o que fui encontrar na própria definição de Modernismo. Esta corrente baseou-se na ideia de que as formas "tradicionais" das artes em geral se tornaram ultrapassadas, sendo fundamental criar uma nova cultura, que respondesse às exigências de funcionalidade, verdade estrutural e simplicidade. Isto significa que se passava da arte figurativa, representativa da realidade, para a arte abstrata. E a passagem do ballet clássico para a dança contemporânea, não é isso mesmo? Tinha assim encontrado o objeto de venda. 
Este processo culminou com a criação do moodboard, que serve como orientador e base criativa.


Depois de todo este processo de estudo, desenrolou-se o processo criativo, com o desenho de layout do espaço, em 2D e 3D renderizado, escolha de materiais, texturas e mobiliário.

Tanto fica por dizer, mas no final o que conta são as imagens!









Tive um imenso prazer neste projeto porque tudo teve uma razão de ser, sem pontas soltas e, para além da componente criativa, obrigou-me a debruçar sobre temas culturalmente tão interessantes.

O próximo desafio? Desenvolver o projeto de interiores da minha futura casa ;)
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09/06/2019

(S)KetchUp



Os últimos tempos têm sido exigentes! O desafio do regresso ao trabalho, uma bebé de meses e o curso de design de interiores que ainda decorre. Tempo não sobra nenhum, mas apesar do corre-corre, sou muito grata, por tudo isto.

Da última vez que dei notícias, já lá vão uns meses, tinha acabado de iniciar um novo projeto no curso de interiores, e que trabalho me deu! Tratava-se de uma moradia duplex, no cais de Gaia, em que para além de desenhar todo o layout, tinha de me centrar na sala, cozinha, lavandaria e quarto do bebé. Para estas divisões projectei todo o mobiliário e desenhei em Autocad e em 3D Sketch Up.

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22/02/2019

As voltas da vida




Lembro-me de ter uns 12 ou 13 anos e adorar educação visual e desenho, até me lembro o nome dos professores, Prof. Viana e Arq. Rebelo, este último uma fera. Lembro-me também de, na altura, mencionar a uma amiga que se tivesse jeito para desenhar iria para arquitetura, embora acho que nunca o verbalizei em casa. 
O tempo passou e com ele essa ligação às artes. O certo é que nunca foi uma hipótese seguir artes e nem o facto da minha irmã ser arquiteta me desviou um milímetro do meu caminho, na saúde. E não estou arrependida.

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16/01/2019

Galiza a três


Depois da Clara nascer, combinamos que, quando possível, iríamos a Santiago de Compostela, que já não visitava há mais de 20 anos. A oportunidade chegou agora, ao quinto mês da Clara. Não fomos nem a pé, nem de bicicleta mas confortavelmente sentados, a nossa “peregrinação” foi outra, visitar as “capelinhas” da Galiza, que andavam no imaginário do Tiago :)

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04/01/2019

Obrigada 2018 // Olá 2019


Só tenho a agradecer ao ano que agora terminou, ficará para sempre gravado na minha memória como um ano singular, o ano em que, apesar das ansiedades normais de qualquer grávida, trouxe uma felicidade sem precedentes, a Clara.

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01/12/2018

Dá para congelar o tempo?


Tenho andado fugida, mas hoje apeteceu-me escrever, sobre este maravilhoso momento que atravesso. A verdade é que nunca me senti tão feliz e completa. A Clara é a grande responsável mas não só!

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