06/09/2017

Comprar um Kilim


Passamos estas últimas férias na Turquia. Um país incrível que, fruto da turbulência política e de toda a envolvência relacionada com a migração síria, tem vindo a sofrer um forte decréscimo no turismo. Sorte a nossa que tivemos uma óptimas férias longe das hordas de turistas.
O nosso plano foi começar pela Capadócia [Kapadokya - land of beautiful horses], região no centro da Anatólia.


Já que íamos à Turquia, estava decidida a comprar um tapete kilim. Gosto muito de bons tapetes e sou de opinião que fazem toda a diferença na decoração e conforto da casa. 
Tenho, desde há anos, alguns tapetes marroquinos que adoro e agora queria um turco, para a entrada de casa.

Mas afinal, o que é um Kilim?
Kilim, palavra de origem turca, é a designação dada a um tipo de tapetes em lã ou seda que é tecido sem recurso a nós. A confecção é feita com laçadas por entre os fios da urdidura, quase como um bordado. No Ocidente são conhecidos pelos seus desenhos gráficos e abstratos, porém cada tribo e localidade tem um estilo próprio: podem ser cores mais vibrantes ou mais terrosas, imagens simples ou complexas.

São fabricados sobretudo em alguns locais da Anatólia (Turquia) e do Irão, mas de uma forma mais genérica fabricam-se tapetes chamados kilims desde os Balcãs até ao Paquistão, passando pelo Médio Oriente, Cáucaso e Ásia Central.



Antes de vir para a Turquia fiz o trabalho de casa, qual seria o melhor sítio para comprar o tapete. Descobri que uma loja de referência é a Tribal Collections, precisamente em Goreme, um dos nossos destinos, na Capadócia.

Encontramos facilmente a Tribal Collections e fomos atendidos pela proprietária, Ruth Lockwood, uma neozelandesa de meia idade a residir há 30 anos na Turquia.



Quem já alguma vez comprou tapetes orientais, conhece o processo, um tapete em cima de outro até se acertar na cor, no tamanho, no preço, NO TAPETE. A oferta é imensa, o que dificulta muito a escolha.

Os preços diferem muito, dependem da dimensão, claro, mas também da antiguidade, do recurso a corantes naturais ou sintéticos e do detalhe dos motivos.


A grande vantagem de ser atendido pela Ruth é estarmos com alguém verdadeiramente entendido no assunto e que explica as características das peças.



O tapete que escolhemos foi amor à primeira vista, com um valor um pouco acima do que tínhamos definido, mas foi paixão. É de uma grande delicadeza e detalhe e tem mais de 60 anos, por isso está catalogado como kilim vintage. Tem algumas particularidades, que nos foram explicadas pela Ruth: é em tons naturais, tem uma série de nós a meio do tapete, conhecidos como nós auspiciosos, aqui na Turquia, e a franja está tal como saída do tear e, por isso, também pouco usual. É da região da Anatólia central.


No final foi-nos dado um certificado com as características do tapete e que deveremos guardar, porque tal como uma obra de arte, está em constante valorização.

E agora, cá está ele na nossa entrada de casa!
Comprar um kilim não é só comprar um tapete, é comprar história, cultura e arte.



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2 comentários

  1. Olá Ana, Turquia era (era!) um país que estava nos meus planos, mas pelas razões que explicas, ficou adiado. Quanto aos kilims, tenho alguns em casa, de Maroocos e da Tunísia. Além de gostar muito deles ainda nos recordam bons momentos passados em viagens e a compra, no estilo que falas, com o vendedor a apresentar uma centena deles, e a pessoa cada vez mais baralhada. Acho que fizeste uma aquisição bellíssima, da qual não te irás arrepender. Gostei imenso desta partilha, muito interessante a casa dos tapetes. Bj, bom fim de semana!

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    1. Ola Val! Sem duvida, as peças que trazemos de fora transportam-nos para momentos muito bons, são sempre peças de estimação. Quanto ao tapete, não me vou arrepender, de certeza! :)

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