22/02/2019

As voltas da vida




Lembro-me de ter uns 12 ou 13 anos e adorar educação visual e desenho, até me lembro o nome dos professores, Prof. Viana e Arq. Rebelo, este último uma fera. Lembro-me também de, na altura, mencionar a uma amiga que se tivesse jeito para desenhar iria para arquitetura, embora acho que nunca o verbalizei em casa. 
O tempo passou e com ele essa ligação às artes. O certo é que nunca foi uma hipótese seguir artes e nem o facto da minha irmã ser arquiteta me desviou um milímetro do meu caminho, na saúde. E não estou arrependida.

Passados 30 anos essas reminiscências tomaram uma forma, no curso de design de interiores que estou a frequentar. E dou por mim a esquiçar (ou algo parecido com isso :) ), desenhar em Autocad ou em 3D, a pesquisar sobre materiais de construção, ambientes, arquitetos ou designers.


Estando ainda a gozar licença de maternidade, duas tardes por semana, desfoco-me das fraldas e das papas e dedico-me a aprender. O melhor de dois mundos, aproveitar a minha bebé ao máximo mas, ao mesmo tempo, mantendo-me ativa, alimentando um hobby.

O primeiro projeto foi reestruturar a minha própria sala, para um suposto cliente, um colega. Um desafio olhar para a nossa sala e ver de que forma ela melhor poderá ir ao encontro das necessidades e gostos do nosso cliente! Com direito a maquete e tudo!


Antes

Depois














O curso avança e exigência também, de uma sala, passamos para uma casa inteira, começando por criar as próprias divisões. E há muito tempo que não me sentia com o síndrome da página em branco, como raio ia conseguir dividir aquela casa, da melhor maneira possível, tendo em conta todas as condicionantes. Quatro estudos depois, parece que está feito, mas agora falta desenhar e rechear e, para isso, muita pesquisa.

Tenho a sensação de ter vivido os últimos seis meses num mundo paralelo, tão mas tão bom. Em breve o mundo paralelo vai fundir-se com o meu mundo real, com o regresso ao trabalho, mas quem corre por gosto não cansa.


Mas das voltas da vida, dessas não podemos fugir, nem que seja três décadas depois.
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