03/06/2020

(Des)confinada


E estamos em Junho. O meu mês. Não sei para onde foram estes meses, desde março. Sei que passou a primavera, que foram meses difíceis, que senti falta de abraçar família e amigos mas que, apesar de tudo fui feliz.
Olhando para trás, senti vontade de escrever sobre a forma como passei os últimos meses, aliás, o Tiago, incentivou-me a fazê-lo :)
Apesar de, num dado momento da minha vida (tinha eu uns 18 anos e a minha irmã esteve um mês internada com uma meningite), eu ter pensado, “que médico escolhe infeciologia para especialidade?!”, a verdade é que o destino é mesmo assim, e caiu-me um infeciologista na sopa. Ora, há lá especialidade que estivesse mais no olho do furacão do Covid, do que esta?! Não há, e por isso, entre Março e Abril, o Tiago não chegou a casa antes das 20h. Significa que, para além de estar em teletrabalho, passei os dias sozinha com a pequena Clara, de um ano e meio.


O óbvio, e que toda a gente sabe ou passou pelo mesmo, é que teletrabalho, cuidar da filha e da casa, não é fácil e não sobra muito tempo. Mas apesar de tudo isso, acho que o que mais contribuiu para o meu equilíbrio foram os meus hobbies.

Há alguns ensinamentos que eu quero muito passar à Clara, ter hobbies ou diferentes interesses é um deles. Sempre gostei de ler e pratiquei algum tipo de desporto, mas refiro-me a interesses que pressuponham uma aprendizagem ou desenvolvimento. Olhando para trás, sinto que isso só me chegou, de forma não consciente, com a maturidade dos 30. 


Comecei por me interessar por fotografia e fiz 2 ou 3 mini cursos e com isso veio a vontade de saber alguma coisa sobre edição, o que me levou ao Lightroom. Não sei muito mais que o básico, mas é o suficiente para me entreter.
Depois veio o blog, um primeiro onde partilhei algumas viagens. Precisei de aprender sobre Blogger, fotografei e escrevi.
Entretanto, surgiu o restauro. Procurava peças, restaurava, fotografava e escrevia sobre a sua história e o processo de restauro e assim nasceu o Anantique.
O design de interiores já pairava há algum tempo mas só no ano passado consegui concretizar a formação. Aprendi muito sobre o processo e a técnica, mood boards, Autocad, Sketchup, Vray. Mas há uma infinidade de outras coisas que quero aprender e, sobretudo praticar.

Foi no meio deste caldo que passei o meu confinamento, entre o querer aprender e o querer fazer, depois das tarefas profissionais e domésticas concluídas. No melhor espaço do mundo, a minha casa, na melhor companhia, a minha filha (ok... as vezes sentia muuuuuuuuuuuita vontade de estar sozinha...:) )
  1. Fotografei e escrevi alguns posts no Anantique e iniciei um projeto sobre o crescente valor do artesanal e sobre artesãos.
  2. Por mais que tenha Instagram há anos, percebi que há todo o mundo de potencialidades que me passava ao lado. Não me refiro à app enquanto rede social, refiro-me à envolvência gráfica (sim, a estética gráfica, é outra das coisas que gosto e gostava de desenvolver). Li e assisti a “lives” e estou contente com o lifting que dei ao Instagram do Anantique (espreitem e opinem!).
  3. Assisti a podcasts e “lives” sobre design de interiores e aprendi umas quantas coisas. Pesquisei e preparei o moodboard para a sala de uma amiga que me pediu ajuda.

É incrível a quantidade de cursos, e workshops com que me deparei, à distância de um click. Houvesse tempo para assistir a tudo o que gostava.

Onde quero chegar, quando digo que tudo isto contribuiu para o meu equilíbrio neste período conturbado, é porque me ajudou a fugir da rotina, a ter objetivos, a aprender coisas novas. Estar confinada, não poder sair de casa, não foi uma prisão, traduziu-se em tempo extra, que numa situação normal não teria, porque há sempre mil coisas para fazer lá fora.

Às vezes penso, sortudos daqueles que fazem dos seus hobbies profissão. Porque rentabilizam aquilo que realmente lhes dá prazer. Mas depois disso também penso, será que esse gozo não desaparece quando se torna uma obrigação?
Não sei. Mas sei que ter estes ou outro tipo de escapes é tão gratificante.
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2 comentários

  1. Excelente texto. Ter com o que ocupar a mente faz a diferença. Ter um rol de ocupações, melhor ainda. Até breve!

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