13/09/2020

Mood board - o primeiro passo


Há dias partilhei um texto sobre que perguntas nos devemos fazer antes de embarcar num projeto de interiores, quer seja numa mudança de casa, ou simplesmente remodelar uma divisão. A ideia por trás dessas questões é ajudar a refletir sobre o que funciona para nós e para o nosso estilo de vida e evitar erros que podem sair caros. Depois da reflexão vem a parte mais divertida e criativa – pensar no Mood board.
Mas afinal o que é um Mood board?
É uma composição de imagens, materiais, citações, etc... selecionados de forma a conseguirmos ter uma visão global do projeto – induzem uma emoção que é depois transportada para o projeto. O termo look and feel encaixa perfeitamente naquilo que se pretende com o mood board. É uma grande ajuda para estruturar o processo criativo - manter o foco e não “descarrilar”, criativamente falando 😊. É como um brainstorming, o grande momento inspiracional.

Ponto de partida
Saber por onde começar pode ser difícil, mas uma boa dica é selecionar um objeto, uma imagem que nos desperte para o ambiente que queremos criar e depois seguir o trilho da imaginação, organizando a visão geral – o mood. Depende também se a remodelação é uma folha em branco, em que todos os materiais podem ser escolhidos ou se alguns estão já definidos. Neste segundo caso, uma boa ajuda é ter a imagem ou amostra dos principais materiais, aqueles que têm maior impacto no ambiente, por exemplo o pavimento. Estou mais ou menos neste ponto, no mood board para a minha futura casa. 
Há dias pedi ao Tiago que me desse algumas palavras que definissem como ele vê a futura casa (podia ter corrido mal 😊 mas não, estamos alinhados 😊). Palavras podem também ajudar no arranque, porque não? 

Mood board para habitação de uma família francesa que veio residir no Porto. Espaço contemporâneo mas onde se buscou a genuinidade do lugar, para que se sentissem em "casa".  

Colecionar, colecionar, colecionar

Muito tempo é “investido” neste colecionar de imagens, texturas, pequenas inspirações - Pinterest, Instagram, revistas, blogs, amostras físicas, se as houver. No meu caso, sendo uma casa inteira, vou criando seções no Pinterest, por divisão. Não há uma ordem, o importante é dar espaço à imaginação, mas facilita partir do mood geral, passando depois aos detalhes - cor, texturas e padrões. A ideia por trás do mood board não é apenas criar o ambiente, o “look”, o que se pretende é que esse ambiente deixe transparecer o “feeling” que queremos para o espaço (deixei as palavras em inglês porque descrevem melhor do que a tradução…). Que emoções queremos passar? Calma e tranquilidade, ou algo mais vibrante e enérgico? Vamos focar-nos no natural, com cores e formas orgânicas? Algo mais quente e cozy? Ou mais frio e sofisticado? Queremos que o espaço nos remeta para um outro país ou memória? Qual a essência do nosso projeto? 

Mood board para quarto de criança que traduz uma preocupação ecológica e de sustentabilidade, com abordagem Montessoriana.

Curadoria
Agora que já temos um “banco” de imagens e uma noção do “feeling” que queremos para o espaço, começamos uma seleção mais fina e estruturada, para mim a parte mais difícil. Aqui a ideia é literalmente brincar com as imagens, colocar umas ao lado das outras e ir ajustando, até nos sentirmos plenamente satisfeitos. Há vários softwares, mas um simples Power point serve perfeitamente. A palete de cores também pode ficar já definida, as cinco cores mais preponderantes será suficiente. 
Se este passo se torna muito complicado, por termos várias ideias que competem entre si, o melhor será criar vários mood boards e deixá-los amadurecer por alguns dias. De que forma cada um deles nos faz sentir? Com o tempo conseguimos ter um maior distanciamento e uma noção mais clara do que realmente pretendemos. 

Mood board para sala de uma Alentejana de gema, apaixonada por costura e crochet, a residir no Porto. 

O passo seguinte, é a concretização com o Concept board, em que já procuramos as peças específicas, tendo sempre como fio condutor o Mood board.

Embora aqui me refira a Mood boards para design de interiores, a verdade é que esta ferramenta pode ser muito útil noutras áreas criativas, por exemplo no desenvolvimento gráfico de uma marca ou para projetar um evento. Enfim, é todo um mundo para explorar e deixar a imaginação fluir.

Foto de Capa: Cate St Hill
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