14/11/2020

SLOW, para design de interiores mais sustentáveis

Vivemos um período estranho, plena pandemia, que não sabemos quando irá terminar. A vida que conhecíamos está como que congelada. Somos obrigados a abrandar o ritmo e essa pode ser a deixa para refletirmos sobre o bem-estar individual e da sociedade, talvez a maior lição que possamos tirar de tudo isto. Em 2017 escrevi o post “SLOW design, como fazer parte do movimento” e sinto que mais e mais este sentimento SLOW me assenta – “Ao contrário da máxima, time is money, o conceito slow propõe uma reflexão acerca do que está à nossa volta, seja a refeição que será consumida, seja a cadeira em que nos sentamos.”

Apesar da imediata associação de SLOW a abrandar, o termo também é usado como um acrónimo que evidência as características em que se foca o próprio movimento:

S – sustainable: minimiza o impacto negativo sobre o ambiente. Maior recurso ao reutilizável, reciclado, mais ecológico.
L – local: encoraja a busca de produtos locais ou artesanais, com impacto positivo a nível económico e social.
O – organic: materiais orgânicos, naturais, biodegradáveis ou provenientes de material reciclado.
W – whole: materiais mais crus, menos tratados e por isso com menos impacto no ambiente.

O movimento nasceu associado à alimentação, SLOW food, por oposição à fast food, mas depressa se disseminou como SLOW living e SLOW design, refletindo um modo de vida e de viver a casa mais relaxado e sustentável. Se outra coisa nos traz esta pandemia é o tempo que passamos em casa e, por isso, o modo como a sentimos se torna tão importante.

Mas como se reflete no design de interiores?

Todos entendemos a decoração como esse conjunto de coisas que contribuem para embelezar um espaço e, numa perspetiva tradicional, foca-se de forma unidimensional na estética. Mas, e se o espaço não necessitar de muito mais do que simplicidade e emoção? E se o bem-estar e a sustentabilidade ambiental forem tão importantes como a própria estética? Não falo de minimalismo, mas sim de uma estética enriquecida por uma componente mais humana, artesanal, wabi-sabi, em que a imperfeição tem um lugar muito próprio, dá-lhe alma. 

Planete Deco
Sustainable
Reutilize tudo o que puder, como móveis antigos ou de boa qualidade, que bem cuidados duram para sempre. A recuperação é uma possibilidade, mas por vezes pode-se optar pela transformação, pintando ou usando outro tipo de técnica. Mesmo móveis mais pesados, com velaturas escuras, ficam muito bem se limpos (leia-se “raspados”…) deixando vir ao de cima a cor natural da madeira. Sofás, poltronas ou cadeiras confortáveis e com estrutura boa podem ser estofados. Com vontade podemos dar um "up" e um novo uso a qualquer peça. 

Galerie Provenance
Local
Parte indissociável da sustentabilidade é a componente económica e social, comprar de forma mais consciente, menos mas melhor. É importante o incentivo e reconhecimento humanos, valorizando os processos artesanais, até pelo cariz patrimonial que têm. Investir em peças de qualidade, construídas para durar e que perduram, à medida que a vida muda, em vez de qualquer coisa rapidamente descartável. Peças intemporais, que equilibram forma e função. 

Sandra Tarruella
Organic
Falar de sustentabilidade e de SLOW design é inevitavelmente falar de materiais mais amigos do ambiente, com elevada longevidade ou biodegradáveis. Entre as fibras vegetais destacam-se o algodão e o linho orgânico, o bamboo, o cânhamo, o sisal, a cortiça. Já entre as fibras animais, a lã, cashmere, alpaca, o couro ou a seda. Há também a considerar as fibras sintéticas, que embora não sejam orgânicas, por serem provenientes de materiais totalmente reciclados, são também sustentáveis. Plantas são muito bem-vindas e trazem frescura e leveza ao ambiente. 

Sandra Tarruella
Whole
Neste âmbito incluem-se os materiais em que há um menor recurso a produtos químicos na sua produção, madeiras com acabamentos suaves que valorizam a imperfeição perfeita dos veios, pedra natural, cerâmicas mais toscas, betão aparente. Também os tons pastel, terra ou tintos naturais proporcionam bem-estar, tranquilidade e aconchego. 

vanosarchitecten.nl
Materiais simples, mas sólidos, tons claros, mobiliário básico, madeira, cerâmica, linho, texturas mais orgânicas, beleza, sem ostentação, materiais que envelheçam bem, com elegância e duram muito tempo. Ambientes destes trazem tranquilidade e sentimento de pertença, ajudam a fugir ao stress do dia-a-dia. São pequenos oásis interiores, mundos paralelos, longe de modas e assentes em valores ecológicos e éticos, um refúgio para buscar equilíbrio e harmonia. Aquela noção de casa perfeita, toda arrumadinha, sem nada fora do lugar não representa o SLOW Living e o SLOW design. Casa que é casa tem de ser vivida.

Foto de capa: Planete Deco
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